Produção: Don DeVito
Gravadora: Columbia
Hurricane (Dylan/Jacques Levy) 8:32
A batida do violão, um pouco de violino cigano, então vem a seção ritmica e Dylan entra à toda. A música é implacável por mais de oito minutos, como uma série de socos no plexo solar. O boxeador Rubin "Hurricane" Carter foi condenado por assassinato em 1967 e encarcerado em uma minuscula cela de metal numa penitenciária em Trenton, Nova Jersey. Depois de ler sua autobiografia, The Sixteeth Round, Dylan visitou Rubin na prisão. "E nós conversamos por horas a fio. Percebi que a filosofia dele e a minha corriam na mesma estrada, e não é comum encontrar pessoas assim. Tomei notas porque eu não tinha consciência de todos os fatos. Pensei que, em algum momento poderia condensar tudo isso em uma canção."
Levy confirmou que "foi de Bob a idéia de escrever uma música sobre Hurricane. Tentei fazer quase que o papel de advogado e contar a história ao júri. É claro, que para isso, seriam necessários muitos detalhes". E júri algum deixaria de dar o veredicto de inocente, depois dessa exposição forense. Foi a primeira canção de protesto de Dylan desde "George Jackson" e um sinal de que ele não havia abandonado sua busca por obter justiça através do poder da música popular. A gravação se equipara a esse espirito, urgente e lo-fi, mesmo no CD remasterizados.
A revista MOJO afirmou que "os quartetos rosnados [de Dylan] precedem em décadas o advento da poesia slam. É pura paixão poética, entregue por meio das manchetes gritantes de um tablóide". Jeff Tweedy concorda: "Só acontece uma vez a cada dez anos alguém cantar uma música como essa. Talvez todas do primeiro disco dos Sex Pistols tenham esse tipo de intensidade. Ele está com raiva, e Dylan está em sua melhor forma quando está com raiva."
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